"E o teu futuro espelha essa grandeza"

Monday, December 10, 2007

o churrasco que ninguém quer comer.

Nesse último Sábado, acordei empolgado. Apesar do inverno, o sol deixou a tarde de Canberra perfeita para um churrasco, exceto por um pequeno porém, cadê a churrasqueira?

Já disse uma vez e repito, viver fora do Brasil não é fácil, além de ter que freqüentemente explicar que há mais coisas no Brasil do que Pelé, Ronaldinho e Samba, o brasileiro expatriado precisa se acostumar com a falta de certas comidas. Não que na Austrália não exista carne de boi, existe, difícil é achar a carne que queremos e da forma que queremos. O que surpreende é que mesmo deixando de lado algumas carnes com as quais estamos acostumados, os problemas continuam.

Assim que cheguei a Austrália comentei com meu chefe que estava feliz em poder deixar para trás o preço do contra-filé em Israel (cerca de 40 reais) e me dedicar ao delicioso hábito de comer carne vermelha mal passada, quase mugindo. Não podia esperar para devorar um churrasco sem precisar parcelar em quinze vezes. Meu chefe, curioso como de costume perguntou-me como preparamos churrasco no Brasil e após ouvir a resposta riu e disse:

Prepare-se, pois o churrasco australiano consegue ser ainda mais sem graça do que o americano.

Pois é, se você nunca entendeu qual a graça do George Foremann Grill, ou daquelas estranhas "churrasqueiras" a gás tão comuns nos EUA melhor pensar em ir morar no Japão ao invés de vir passar uns anos da terra dos cangurus pois aqui, as "churrasqueiras" nada mais são do que chapas quentes aquecidas a gás iguais as que você encontra em qualquer lanchonete ou "xis-tudo" de rua.

Não é de se espantar que a carne dos restaurantes Outback sejam tão sem graça! (tudo bem que as batatas fritas.... nhammmmm).

Ainda assim nem tudo é tão sombrio, apesar de incomuns, é possível encontrar churrasqueiras em diversos países, isso sem falar da facilidade em improvisá-las, tembém é possível encontrar parte dos cortes bovinos brasileiro em açougues comuns. O segredo é perguntar ao açougueiro se ele se incomoda em não remover toda a capa de gordura da carne ou até mesmo cortar uma incomum picanha. Curiosamente, ainda que o Brasil seja um dos maiores produtores de carne no mundo, muitos dos cortes que costumamos comer inexistem no exterior e para piorar nem sempre é fácil descobrir como comprar fraldinha, picanha, alcatra com capa de gordura.

Esqueça o cupim, lute para achar a picanha e nunca se esqueça, o açougueiro é seu melhor amigo.

Na falta de um açougueiro segue uma lista camarada elaborada pelos nossos eternos rivais da carne, os argentinos...

Thursday, July 05, 2007

Um país de braços abertos... (ou ah, como eu queria ter um milhão de reais!)

Morar fora do Brasil tem seus benefícios. Brasileiros morando em Dubai e outros países do Golfo Pérsico rapidamente esquecem o imposto de renda. Já os brasileiros morando na Nova Zelândia, precisam pagar imposto de renda mas não precisam se preocupar com Imposto Sobre Ganhos de Capital... Porém, há algo que o Brasileiro jamais poderá esquecer:

O Brasil é um país com planos de objetivos Suecos mas de execução Somali!

Tudo começou quando navegando pela Internet lembrei-me do fato de que o investidor não-residente conta com uma série de benefícios fiscais para investir no Brasil. Existe até mesmo uma organização formada com o intuito de divulgar o país para investidores internacionais!

Imagine-se investir em ações, títulos do governo e fundos de investimento pagando pouco ou nenhum imposto? Fantástico, não fosse a dificuldade que é conseguir navegar por tais águas. Parece simples, a página da Bovespa, CVM e da tal BEST contam até mesmo com um passo-a-passo:
  1. Escolha do representante legal, fiscal e do custodiante. Diversas instituições financeiras estão autorizadas pela CVM e Banco Central a realizar a atividade de custodiante e podem também atuar como representantes legal e fiscal do investidor estrangeiro.

  2. O custodiante assinará um contrato com o Investidor e pedirá informações detalhadas de acordo com a legislação brasileira – “Know your Costumer”.

  3. O custodiante solicitará à CVM o código operacional do investidor. No máximo em 24 horas, a CVM disponibilizará este código. Simultaneamente, a CVM requisita à Secretaria da Receita Federal um CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) para o investidor, para efeito de tributação.

  4. Os recursos investidos no Brasil estão sujeitos ao registro no Banco Central. O registro é eletrônico, feito através da funcionalidade denominada Registro Declaratório Eletrônico (RDE). O registro inicial e suas atualizações subseqüentes constituem requisito obrigatório para quaisquer movimentações com o exterior e devem ser providenciados antes do seu início. O representante é responsável pelo registro destas operações.

  5. Escolha de uma Corretora Membro da BOVESPA, que será a sua representante na Bolsa e executará as suas ordens.
Simples, muito simples! Ao menos no papel... Ligue para qualquer das instituições listadas pela CVM como custodiantes e peça qualquer informação a respeito do assunto:

- Representante legal? Nós não fazemos isso não senhor...

- O senhor para abrir uma conta precisa comparecer à uma agência...

- Ligue para o seu gerente...

- Eu precisaria estar agendando uma visita...

Ou a minha favorita, e a qual escutei algumas vezes:

- Claro que fazemos mas para ser nosso cliente o Senhor precisa ter no mínimo X milhões de reais...

Eu sinceramente não consigo acreditar que os grandes bancos brasileiros ainda vivam em um mundo onde brasilero expatriado é aquele que nasceu em Governador Valadares e no momento encontra-se a fugir da Imigração Norte-Americana ou o Dekassegui no Japão. Juro que até gostaria da sensação de ser um caso único, porém sem maior esforço eu consigo lembrar de 10 colegas que estão fora do Brasil em situação similar. Alguns optaram por investir em filiais offshore de bancos globais, alguns estão a investir nos países onde moram e outros diversificaram os investimentos em diversos países, exceto Brasil.

Estudos apontam que o montante de recursos enviados por Brasileiro vivendo no exterior não param de crescer, porém ao que tudo indica, os estudos ainda não serviram para estimular o mercado brasileiro a se comportar como fez o mercado internacional que frente à diáspora vêm oferecendo serviços offshore a clientes cujos recursos não são suficientes para lhes abrir as portas dos Private Bankings e afins, ou core affluent como algumas instituições costumam chamá-los. Seja qual for o nome, curiosamente a única instituição a oferecer em seu site informações claras e precisas acerca dos serviços prestado a quem mora fora, é a Caixa Econômica Federal, quem diria!

Aqui dessa lado, prometi para um prestativo funcionário de um banco que em dois anos eu chego nos milhões! Até lá o melhor é me contentar com minha vida de "barata" e investir por esse lado do mundo, a China ainda está rendendo um bocado e tax-free por tax-free Hong Kong e Singapura estão a dois passos.

Monday, May 07, 2007

Gente estranha e de hábitos esquisitos

Vida de expatriado é cheia de glamour, choques culturais e muito, mas muito transtorno! Não apenas isso, mas eu ainda não consegui encontrar expatriado mais sofrido do que o Brasileiro. Exemplo: Em Outubro de 2006 eu ainda estava a morar em Israel, e por conta de uma daquelas coincidências divinas, a votação calhou de ocorrer no Yom Kippur, o mais rigoroso feriado Israelense, onde o país efetivamente pára por 25 horas. É de se imaginar que diante de uma situação dessas a Embaixada do Brasil iria colocar em sua página na Internet uma página orientando os Brasileiros sob sua jurisdição, certo? Claro que não, afinal trata-se da Embaixada do Brasil e é natural que os serviços prestados pela Embaixada sejam tão precários quanto qualquer outro serviço oferecido pelo poder público Brasileiro. A regra é simples, se não for algo digno de parar na TV - caso da operação de emergência para tirar brasileiros do Líbano - esqueça a embaixada e peça ajuda ao Padre Cícero. Porém o tema de hoje não é o Brasil!

Nesse último final de semana tive o grande prazer de papear um bom bocado com um antigo amigo que no momento está no Chile trabalhando em uma multi-nacional do ramo de telecomunicações. Papo vem, papo vai, fomos brindados com um surreal diálogo acerca de quem tem a menor mudança internacional.

Ele tem mulher e filho, e a cada mudança consegue reduzir sua via a 4 metros cúbicos, o segredo segundo ele é deixar os eletro-eletrônicos pra trás. Já no meu caso, eu era casado e consegui fazer minha mudança com menos de 2 metros cúbicos. Minha mulher? Bom minha mulher foi passar uns dias na casa da mãe dela... a uns 10 mil quilômetros de distância, não sei se ela volta. Vida de expatriado tem dessas coisas...

Dicas para fazer sua mudança de forma reduzida:

  • Se você é apaixonado por música e computadores, que MP3 que nada! Grave seus CDs favoritos em um disco rígido portátil. Use um codec de alta qualidade como o FLAC, assim você carrega os seus CDs sem precisar abrir mão da qualidade de áudio. Complete o setup comprando um Squeezebox 3 (minha escolha) ou um Roku SoundBridge.
  • Se sua paixão é fotografia e boa parte da sua mala são negativos e fotos antigas, considere digitalizar seus negativos usando um scanner de negativos e deixe os originais na casa de um parente que não perambule tanto quanto você.
  • Esqueça seus eletro-eletrônicos. Carregar geladeira, micro-ondas, TV e DVD é perda de tempo. Compre-os novos ou de segunda mão ao chegar no próximo destino. Venda-os no Ebay ou site similar ao deixar o país.
  • A roupa ficou meio apertada ou o elástico da meia já deu o que tinha que dar, doe, jogue fora, entregue no Bazar.
  • Gosta muito de cozinhar? Leve apenas os items que lhe são essenciais, tais como a panela favorita, o jogo de facas ginsu e os livros de receitas. Se separar-se das panelas Le Creuset lhe for mais doloroso do que ir ao dentista, enviar a mudança de navio poderá lhe salvar uns trocados.
Agora, se você assim como eu, já pensa em se mudar antes mesmo da mudança chegar no destino, melhor começar a pensar em esquecer a tal da mudança. :-)

Sunday, April 22, 2007

O Brasil é uma m...

Recebi uma crítica muito interessante de um amigo meu, um cara genial que no momento atua como parte do corpo diplomático Brasileiro no exterior. Ele disse que gostara de "my home is sick" porém não tinha muito como concordar comigo, afinal achava o Brasil o máximo. Será?

A crítica dele me deixou um tanto preocupado, afinal minha idéia não é cuspir na querida terra natal, porém não há como deixar de fazer críticas à situação atual do Brasil, ainda que eu deva confessar, a situação atual do Brasil não me interessa. Não me importam quantos morrem, a situação dos hospitais, a corrupção, o crime organizado... Isso não faz parte de minha vida, no máximo da vida de meus familiares que ainda continuam no Brasil.

O que me importa é a impressionante falta de rumo, a velhice política, a guinada ao populismo, por sinal, diga-se de passagem o Brasileiro adora um populismo, não bastasse Jânio Quadros e Sarney, agora temos o Presidente Luiz "nunca se fez tanto no Brasil" Inácio da Silva... Tenho certeza que se não tivesse nascido na terra do Maradona, Evita estaria sendo exibida embalsamada em plena praça dos Três Poderes!

Em todo caso, o que choca no Brasil, não é o país em si mas o soturno futuro que nos aguarda. Não bastasse termos nos capivarizado e tomado uma atitude passiva à todas as aberrações que nos saltam a cada linha dos jornais, assistimos uma Lula ser eleita para agora nos contentarmos com um Jibóia gorda, imóvel. O que devemos esperar do Segundo mandato?

Acreditem meus caros leitores, de fato, o Brasil é uma maravilha, e a carne só não é melhor do que a da Argentina, mas que se dane, eu não como churrasco todo dia...

Saturday, April 14, 2007

O canguru, a capivara e o leão

Vários países tem seu animal nacional, ainda que na maioria dos casos ele já esteja extinto ou em vias de se extinguir. Na Austrália a coisa não vai tão mal, quase todo Australiano possui um canguru treinado para pagar as contas no banco.

Já o Brasil devia instituir a capivara símbolo, nada mais digno do que exibir o maior roedor do mundo como nosso símbolo nacional. Esqueçam as águias, leões, serpentes, ursos e tigres; Viva a capivara! De certa forma a capivara é um resumo dos símbolos Brasileiros, afinal, assim como o pão de queijo, a capivara não é exclusividade nacional.

Ainda estava em Israel quando decidi preparar pão de queijo para alguns amigos. As histórias que ouvira até então eram assustadoras, preparar pão de queijo era quase como feitiçaria, tão complicado que hoje em dia pão de queijo só se compra congelado.

Não satisfeito com a receita que recebi de minha mãe, resolvi buscar na internet. O choque foi enorme. Além de ser simples de ser preparado, o pão de queijo não é exclusividade mineira. É produzido, ainda que de forma levemente diferente, no Paraguai e Argentina, assim como o churrasco e é claro, a capivara! De certa forma, o pão de queijo, churrasco e a capivara são exemplos de nosso patriotismo barato, cheios de "causos" e coisas para gringo mas de pouca relevância no dia a dia de nossas vidas.

Pois bem, assim que cheguei aqui na Austrália optei por abrir uma conta no HSBC. Trata-se de um banco global, com forte presença na Ásia, especialmente em Hong-Kong, porém na Austrália, o pequeno número de agências o transforma em um banco quase virtual, onde quase tudo precisa ser feito através caixas eletrônicos ou internet banking. Não seria problema, não fosse o pavoroso sistema de internet banking deles. Ou seja, a Austrália é um lugar interessante para morar mas não conte muito com um mercado financeiro moderno.

Já no Brasil, é relativamente notória e motivo de "orgulho nacional" a capacidade nacional na tecnologia bancária. É fato que quando comparadas com boa parte do mercado mundial, grandes organizações financeiras como Unibanco, Itaú, Banco do Brasil possuem sistemas de internet banking significativamente superiores àqueles encontrados no exterior.

Ainda assim nossas capivaras são prato fácil para o leões de Singapura e demais tigres asiáticos, e diga-se de passagem, até mesmo para as raposas uruguaias, cujo sistema bancário vem rapidamente tornando-se um pólo internacional.

Singapura é um país com quase a metade do tamanho da cidade de São Paulo. Ainda assim é a 22a economia mundial, sendo um dos maiores centros financeiros do mundo. Além de um sistema bancário robusto, Singapura possui um dos mais importantes portos do mundo. Isso sem falar no Aeroporto Changi, principal hub aeroportuário da Ásia, e parada quase obrigatória para viajantes da Kangaroo Route. Qual o segredo de Singapura? Parece que o Uruguay já descobriu... Enquanto isso no Brasil ainda sonhamos com Cuba.

Sunday, April 08, 2007

O pior do Brasil...

Sou especialista em segurança da informação, uma disciplina emergente na área das tecnologias da informação. Há cerca de dois anos moro fora do Brasil. Primeiro destino foi o Oriente Médio, onde fiquei um ano e meio, porém ao final de 2006 fui convidado a trabalhar em Perth, Austrália.

Creio - ainda que empíricamente - que meu caso não é único; depois de alguns anos de desenvolvimento no Brasil, a falta de perspectivas de crescimento profissional no país me impulsionaram a deixar o país em busca de perspectivas e um pouco de sossego.

Acredito também que minha percepção da vida do Brasileiro expatriado seja compartilhada por outros. Um misto de orgulho e vergonha, de felicidade e tristeza, de aceitação e preconceito. O Brasileiro no exterior precisa antes de mais nada aprender a compreender e explorar positivamente os estereótipos que o cercam. Infelizmente eu sou péssimo sambista, jogador de futebol ou capoeirista. Resta-me apenas informar os desinformados e tentar buscar um lugar ao sol no competitivo mercado globalizado. Deveria ser fácil, afinal nasci e cresci no país do futuro...

Infelizmente não é tão simples. Apesar de ser o país do futuro, o Brasil ainda é uma piada, um exemplo do que não se fazer acerca de políticas públicas e de imagem. Mudaram-se os cartões postais mas a República de Bananas continua. Não faz muito tempo, o International Herald Tribune publicou matéria acerca do crescimento da demanda chinesa por soja. Impossível achar exemplo melhor da imagem do Brasil no exterior:

Vastos recursos naturais e absolutamente nenhuma capacidade política. Despreparo e atraso.

Verdade seja dita, elegemos um Presidente com o intuito de tirar o povo da miséria às custas do crescimento de nossa indústria. O resultado porém parece ter sido o atraso. O povo continua miserável e infelizmente parece que nossa indústria e agricultura vão pelo mesmo caminho. E o brasileiro que me perdoe mas não se trata apenas de corrupção, afinal corrupção por corrupção, China, Índia e Rússia não nos deixam nada a dever. No momento, só posso crer que o pior do Brasil, ainda é o Brasileiro.