Nesse último Sábado, acordei empolgado. Apesar do inverno, o sol deixou a tarde de Canberra perfeita para um churrasco, exceto por um pequeno porém, cadê a churrasqueira?
Já disse uma vez e repito, viver fora do Brasil não é fácil, além de ter que freqüentemente explicar que há mais coisas no Brasil do que Pelé, Ronaldinho e Samba, o brasileiro expatriado precisa se acostumar com a falta de certas comidas. Não que na Austrália não exista carne de boi, existe, difícil é achar a carne que queremos e da forma que queremos. O que surpreende é que mesmo deixando de lado algumas carnes com as quais estamos acostumados, os problemas continuam.
Assim que cheguei a Austrália comentei com meu chefe que estava feliz em poder deixar para trás o preço do contra-filé em Israel (cerca de 40 reais) e me dedicar ao delicioso hábito de comer carne vermelha mal passada, quase mugindo. Não podia esperar para devorar um churrasco sem precisar parcelar em quinze vezes. Meu chefe, curioso como de costume perguntou-me como preparamos churrasco no Brasil e após ouvir a resposta riu e disse:
Prepare-se, pois o churrasco australiano consegue ser ainda mais sem graça do que o americano.
Pois é, se você nunca entendeu qual a graça do George Foremann Grill, ou daquelas estranhas "churrasqueiras" a gás tão comuns nos EUA melhor pensar em ir morar no Japão ao invés de vir passar uns anos da terra dos cangurus pois aqui, as "churrasqueiras" nada mais são do que chapas quentes aquecidas a gás iguais as que você encontra em qualquer lanchonete ou "xis-tudo" de rua.
Não é de se espantar que a carne dos restaurantes Outback sejam tão sem graça! (tudo bem que as batatas fritas.... nhammmmm).
Ainda assim nem tudo é tão sombrio, apesar de incomuns, é possível encontrar churrasqueiras em diversos países, isso sem falar da facilidade em improvisá-las, tembém é possível encontrar parte dos cortes bovinos brasileiro em açougues comuns. O segredo é perguntar ao açougueiro se ele se incomoda em não remover toda a capa de gordura da carne ou até mesmo cortar uma incomum picanha. Curiosamente, ainda que o Brasil seja um dos maiores produtores de carne no mundo, muitos dos cortes que costumamos comer inexistem no exterior e para piorar nem sempre é fácil descobrir como comprar fraldinha, picanha, alcatra com capa de gordura.
Esqueça o cupim, lute para achar a picanha e nunca se esqueça, o açougueiro é seu melhor amigo.
Na falta de um açougueiro segue uma lista camarada elaborada pelos nossos eternos rivais da carne, os argentinos...