"E o teu futuro espelha essa grandeza"

Thursday, July 31, 2008

Uma imagem às quintas


so whaaaat that I'm a snowboarding koala?!?!
Originally uploaded by trixpan

E assim começa a série uma imagem às quintas. A imagem de estréia é minha mesmo (eu sei, eu sei...)

Thursday, July 24, 2008

Manila, o México Oriental (ou seria o Mundo de Bizarro?)

Viajar a trabalho é uma forme de roleta russa, volta e meia te mandam para uns lugares de onde você não sabe se irá voltar vivo, ou sem precisar usar uma camisa de força. Recentemente tive o prazer de conhecer Manila, um local que quase me garantiu uma viagem ao Pinel.

Nós Brasileiros, adoramos nos gabar de nossos conhecimentos em geografia, zombamos dos norte-americanos por acharem que Buenos Aires é a capital do Brasil, não serem capazes de identificar a Europa no mapa, etc. Pois eis que descubro meus caros leitores, que as Filipinas ficam na América Latina! Bom, talvez não geograficamente mas se alguém algum dia duvidou de que ser latino é praga, as Filipinas são a prova cabal de nossa maldição.

Perdida no canto do Oceano Pacífico, as Filipinas são um caso raro de colonização espanhola nessa região do mundo e sua história não poderia ser mais insólita, um navegador espanhol (basco?) vindo do México faz um pacto de sangue com um líder local, combate piratas chineses e só para variar engana e massacra os muçulmanos que lá moravam.

Essa história um tanto peculiar, garantiu às Filipinas uma cultura rica, fruto da mistura, cuja comida dada a mistura de fritura, porcos, frutos do mar e temperos poderia ser descrita pela seguinte analogia "Minas Gerais invade o Espírito Santo".

O Filipino em geral é muito simpático e extremamente trabalhador. De fato, as Filipinas estão entre um dos maiores fornecedores de mão de obra mundial, com um número gigantesco de trabalhadores - geralmente braçais - no Oriente Médio, Ásia, Oceania e pelo resto do mundo afora. Não seria exagero afirmar que esses trabalhadores, ou melhor, as remessas de dinheiro que esses trabalhadores enviam às suas famílias tem função crítica no suporte da economia local.

Por outro lado... que lugar estressante. Se você leitor acha o trânsito de São Paulo estressante, esqueça Manila, você irá enlouquecer no primeiro dia.

Minha surpresa começou com o aviso dado por meu anfitrião nas Filipinas, dizia ele, que seria melhor trocar de hotel visto que o hotel sugerido pela agência de viagens encontrava-se a duas horas de distância do prédio no qual eu teria uma reunião. Eu assustado perguntei: "diabos, duas horas? Metro-Manila é tão grande assim?", ele educadamente me responde que o problema não é a distância mas o congestionamento, de madrugada o trajeto não duraria mais de 20 minutos. De fato o trânsito de Manila é apavorante. Estimo que dirigir à padaria na esquina levaria 30 ou 40 minutos, no mínimo!

Terminados os compromissos profissionais tive a chance de conhecer Intramuros, a cidadela colonial, ou melhor, aquilo que sobrou dela depois da 2a Guerra Mundial, quando o império japonês invadiu a ilha e teve de ser expulso com a ajuda das forças aliadas. Intramuros lembra os fortes portugueses tão comuns no litoral brasileiro, porém ao contrário de nossas atrações históricas, que apesar de mal conservadas ainda servem como atração turística, Intramuros só servem para passar uma imagem triste do Estado filipino.

Como disse um dos locais com quem conversei, os filipinos são um povo muito trabalhador, que durante muitos anos esteve na liderança do sudeste asiático, porém, sabe-se lá porque, os filipinos se deixaram perder e com o tempo sua liderança se foi. Dizia o local citando o líder político singapura Lee Kuan Yew, que os filipinos são um povo talentoso mas que juntos em seu país são praticamente incapazes de produzir o bem comum. Lembrei-me dos lendários políticos filipinos e casos e mais casos de corrupção. Lembrei-me de minha terra natal, tentei esquecer a tristeza e encarei o adobo, ou melhor el adobo.

Friday, July 18, 2008

O mundo é o limite

Pessoas freqüentemente me perguntam como fiz para trabalhar fora do Brasil e qual minha sugestão para alguém que pensa em fazer o mesmo.

A resposta não é lá das mais românticas, afinal a única coisa que fiz foi aceitar uma proposta de emprego e ser enviado imediatamente em um "short-term assignment" para uma empresa multi-nacional.

Essa história não teria sido muito diferente da de outros profissionais - participar de um projeto fora do país e voltar - não fossem dois eventos específico:

Um almoço com um terceiro com que trabalhei naquele projeto e uma festa na praia onde encontrei minha mulher.

O primeiro evento serviu como um reforço moral e de auto-estima, lá estava um dos maiores especialistas em minha área a dizer que ele não entendia porque me interessaria encarar aquela vida corporativa ao invés de viver como contractor, participando de projetos ao redor do mundo e sendo bem pago para isso.

Já a festa na praia deu o senso de urgência, não tivesse conhecido minha mulher, minha decisão de deixar o país poderia ter ficado para segundo plano frente à outras prioridades.

Ainda assim, posso tomar a responsabilidade pela decisão deixar o país. A escolha mais óbvia foi começar pelo país de onde havia acabado de voltar. O processo não foi dos piores. Aprendi o básico da língua local e depois de um tempo encontrei um emprego em minha área e comecei a reconstruir minha vida.

Curiosamente, 11 meses depois eu me veria novamente de mudança, dessa vez para Austrália e dessa vez com suporte corporativo, em outras palavras, me mudei com emprego e mudança paga. A mudança foi simples e excetuados os problemas pessoais emergentes de uma mudança internacional de um casal a adaptação foi um tanto tranqüila.

Porém, quem já tentou, sabe que procurar emprego no exterior não é tão simples quanto parece, de fato eu costumo brincar que eu não tenho nada a ver com minha mudança para a Austrália, a culpa é do meu ex-gerente maluco! :-)

É possível encontrar empregos? É. Há inúmeros sites de emprego na Internet e muitas empresas dispostas à contratar estrangeiros. Porém, esperar por uma proposta de emprego não é a única forma de imigrar legalmente para certos países. Entram em cena os programas de Skilled Migration.

Você talvez ainda não tenha ouvido falar em Skilled Migration, trata-se de um grupo de programas criados por governos de diversos países para fomentar a imigração de profissionais altamente qualificados na tentativa de suprir a falta de mão de obra em certas áreas profissionais.

Em geral esses programas funcionam da seguinte forma, o profissional se candidata ao visto com base em sua experiência profissional e qualificações, fornece ao governo do país de destino a documentação necessária para comprovar essas qualificações e se tudo for certo, recebe um visto que o permite se mudar imediatamente e começar a buscar emprego no país de destino.

A má notícia é que o leque de profissionais beneficiados não é muito amplo, geralmente estado restrito à profissionais com nível superior, portanto, exceto pela a Austrália, eu não tenho notícias de nenhum outro país precisando de torneiro mecânico, soldador, pedreiro ou açougueiro que falem inglês.

Sim, possuir domínio razoável do idioma do país de destino é um pré-requisito em praticamente todos os países. Ainda assim vale lembrar que "domínio" não significa que o candidato seja capaz de escrever tratados de filosofia.

No momento os seguintes países vêm provendo programas de imigração qualificada: Austrália, Canada, Dinamarca, Hong Kong, Nova Zelândia e Reino Unido. Cada um desses países tem seus próprios requisitos e compreendê-los requer um pouco de atenção. Alguns sites são de grande valia, sendo http://www.workpermit.com um dos links que sempre indico para quem procura obter informações iniciais sobre imigração para certos países.

Uma vez obtido o visto, o grande desafio passa a ser a mudança em si mas isso é assunto para outro post...

P.S.-Vale notar que a empresa que mantém o site também é agente de imigração, porém nunca utilizei seus serviços e não tenho como recomendar.

Thursday, July 17, 2008

Últimas leituras

Eis a lista dos últimos livros que tive tempo de ler:

Eastward to Tartary de Robert Kaplan, ótimo livro sobre o Leste Europeu, Oriente Médio e Ásia central.

The Tribes Triumphant: Return Journey to the Middle East de Charles Glass. Digamos que é um pouco a versão "esquerdista" do livro do Kaplan, cheio de clichês óbvios mas ainda assim interessante.

Israel's Holocaust and the Politics of Nationhood livro interessantíssimo mas que dispenso comentar. :-)

The Boys' Crusade livro sobre as cruel realidade com a qual se depararam os jovens soldados norte-americanos na Segunda Guerra Mundial. Livro um tanto polêmico, um dos reviews na amazon reclama: "Um livro desonesto, o autor faz de tudo para mostrar que a guerra é uma experiência horrível", ué, e não é? Cada maluco na sua maluquice. Recomendo.

Wednesday, July 16, 2008

Você sabe a última sobre a China?

Viver na Austrália tem algumas desvantagens sérias. O país fica praticamente no meio do nada, no trânsito dirige-se do lado errado e tudo é caro, muito caro, com um quilograma de Fillet Mignon chegando a custar a bagatela de 80 dólares australianos (algo em torno de 123 reais em valores atuais)!

Isso se dá porque apesar de menos bela do que nossa terra natal, a Austrália, assim como o Brasil, é um país rico em minérios. De fato, a mineração é uma das mais importantes indústrias australianas e vem impulsionando salários e com eles os preços. O sucesso australiano não é mérito exclusivo do país, parte da bonança deriva da sede por crescimento de um vizinho não muito distante, a China.

Vivendo nesse lado do mundo é impressionante perceber como o brasileiro parece desconhecer a realidade asiática, em especial a esfera de poder dos Chineses. Fala-se no crescimento do poder da China como se isso fosse uma questão de tempo, enquanto na realidade, trata-se de uma realidade já estabelecida.

De fato, o poder Chinês sobre a região não é novidade. Durante séculos colonos Chineses estabeleceram-se por grande parte do sudeste asiático, configurando minorias ou maiorias nem sempre dominantes em países como Singapura, Malásia, Indonésia, Vietnam, Tailândia, Filipinas, Mianmar e Brunei.

Assim como os britânicos, cujas tomadas e forma de dirigir continuam a ser usados por grande parte da região, o soft-power Chinês se sente presente por todos os lados.

Não é surpresa portanto, que alguém andando em umas Orchard Road, uma das principais avenidas de Singapura, se depare com um enorme telão rodando o trailer de um filme como The Warlords (投名状) , super produção Chinesa de 2007 que finalmente começa a ser exibida na Europa.

Não é surpresa que você brasileiro morando fora do sudeste asiático nunca tenha ouvido falar no filme.

Não é surpresa também que ao se ligar a TV de um hotel em Manila, o visitante se depare com um universo de canais por satélite chineses, ainda que o nome de nenhum deles lhe seja familiar.


Os brasileiros, em especial a imprensa brasileira, continuam alienada acerca dessa realidade regional (e em breve global); nem mesmo os blogs jornalísticos parecem estar preparados para cobrir o tema. Talvez com as olimpíadas o desejo por uma maior cobertura jornalística sobre a China se intensifiquem, até lá, o leitor brasileiro continua a depender de semanários e jornais internacionais.

Mas já que não adianta apenas reclamar, eu que não sou jornalista me resumo a fotografar aquilo que vejo em meus passeios pela Ásia, seguem os links:

Tokyo Singapura Hong-Kong New Delhi